Prólogo

Gostaria de explicar, ao menos entender porque comecei a escrever poesia ou algo do gênero, e como tudo começou. Minhas lembranças me levam, antes mesmo de minha adolescência, independente da minha vontade, parece ser tudo coisa da estupidez do momento ou obra do acaso. Como explicar a vida ou uma existência?

Também não se trata de um dom, escrever como faço é mais um tipo de compulsão, esta aqui é a minha. Assim, convido o leitor a tentar entender minha viagem de vida, meus pensamentos, delírios e outras loucuras próprias. O que procurava? Nem sei, mas não consigo viver sem pensar, sentir sem registrar tudo em algum lugar, o transcrito aqui é o transbordar da minha individualidade, além do suportável por ela.

Se é possível definir o que faço, o leitor verá como o lirismo, o romantismo, o niilismo e a inocência perdida se fundiram de tal forma, tornando um ser perdido e apartado do momento. Minha energia se foi, e o Universo que a tenha em bom lugar. Decidi que esse momento era o propício para iniciar este projeto, não me perguntem porque, não tenho esta resposta no momento.

Os textos postados aqui são de minha autoria , não estão em ordem cronológica, mas conforme os postarei aqui. Sempre assinei meus textos com o pseudônimo "EU". Nem tudo será poesia, nem tudo será coerente ou sábio. Afinal, posso ser tudo, menos sábio...

EU

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Esconder

Pode esconder-se
no céu à noite
como uma nuvem branca.

Pode-se correr
de um homem manco.
Ocultar-se em plena luz
de um cego.

Pode-se enfim
Encontrar qualquer caminho incerto
de certo
para correr de algo
basta ter-se pernas
e não ser um manco.

Para ser pequeno
precisa-se apenas daquilo
que já temos de sobra.
Precisamos de coragem
sim
para criar
sonhar alto
que da queda podemos sofrer.

Se da vida podemos colher.
Por quê?
Só escolhemos correr
e nos esconder em sombras.
Crie-se a luz
Reverta-se o que medíocre nasceu
para ter altura
merecida por nós.

Não consigo entender
nem a mim
quanto mais vocês.

Eu

domingo, 3 de junho de 2007

Quatro Paredes

E as emoções?
Estão pairando no ar
e caindo na cama
logo
nos faltará ar
Entre quatro paredes
nossos gemidos calarão o silêncio
e o vazio...
nos aproxima
mais e mais.

Agora
somos um só
logo mais
dois estranhos
De manhã
estará tudo acabado
Tudo pronto
para começarmos de novo.

Eu

sábado, 19 de maio de 2007

Cama

Deitado em minha cama
vejo o passado me assombrar
relembrando sua foto
em cada quadro que olho.

Sempre esta mesma paisagem
a tomar o meu pensar
gostaria de ti ver livre
voando ao meu redor
enquanto choro
e meu molhar
no rosto triste
sentir seu vento levar
meu gosto de mar
que vive só
para teu vôo
a levar toda esperança
que já tive um dia.

Algum dia
talvez
possa estar no erguer de sua asa
mais livre abandonar
Por hora
dobro meu olhar
para poder guardar
a lembrança de teu voar
No mais
estou em meu leito
Sem você
para poder olhar
acho que jamais
irei aprender a voar.

Eu

terça-feira, 8 de maio de 2007

ANJINHO

Dorme anjinho
porque seu lugar é no céu
Fica por aí para cuidar de mim.

Nasci para vagar
como alma penada
e ficar no purgatório.

Você nasceu para voar
e cuidar dos outros
ajudando-os a sonhar.

Queria aprender com sua delicadeza
roubando um pouco de sua gentileza
e tirando um pouco de sua tristeza.

Sou alma perdida
já toda ferida
não posso mais achar um caminho.

Me ensina a voar
me mostra o caminho
pra ficar ao seu lado.

Enquanto isso você dorme
como se faz para voltar a sonhar?
Onde você faz suas mágicas?

Conta pra mim seus segredos
deixe-me partilhá-los com você
para minha alma descansar em paz...

Eu

domingo, 29 de abril de 2007

Tormento

Vento que sopra
entre as trevas da noite
me acalenta
e leva todas as dores do mundo
que sem saber eram minhas.

Sopra e dista
este louco que existe dentro de mim.
Ser alucinado, drogado, criativo, um doido varrido.
Não sei mais viver com ele
este sem fim derretido de mim.

Que um tornado expulse minhas sombras
deixando minha pele alva novamente.
Desgraçados, malditos seres perdidos em mim.
Que os ventos levem o negro noturno
permitindo mais um segundo de sossego.

Tudo, tudo, menos esta calmaria,
os ventos que a tomem de mim,
e deixem meus restos espalhados pelo chão.
Até que reste apenas um monte disforme de ossos
E assim o tormento chegará a um fim...

Eu

sábado, 21 de abril de 2007

No Inferno

Tem gente que passou somente uma temporada no inferno, e deixou de escrever, queria ser ele, porque passei minha vida toda nele, parte sem saber, parte sabendo, nunca consegui entender, porque de tal destino. Havia feito algo de tão errado assim? Para ter nascido e vivido toda minha vida ali.

Resolvi buscar respostas, pensei, ninguém melhor para saber meu destino que o Príncipe das Trevas, Satã em pessoa, fiquei procurando anos a fio, os mais distantes deles diziam que ele estava logo ali; é fácil encontrá-lo, porém, os mais próximos dele, nada sabiam ou falavam; não é possível falar com ele, ou mesmo vê-lo. Pois como era uma entidade, encarnação do próprio mal, não poderia ser corpório, apenas um ente reinante. Engraçado, já ouvi falar isto pela boca de outros, que não moravam no festim diabólico.

Pensei, então, seria como o mal, a desgraça, algo indistinto, que as pessoas só aderem a eles, porque são humanas, vivem, e vivem para si próprias, e como todo mal é antes de tudo egoísta, egocêntrico e hipócrita, quando assim agimos, temos que ludibriar os outros em nossa volta, pôs todo o grande mal é secreto, feito em segredo, o poder maléfico é antes de tudo sorrateiro, uma má intenção, um objetivo cruel, egoísta ou mesquinho, é sempre camuflado por discursos e atos nobres.

Nenhum príncipe, nenhum idealista, nenhum amante faz maldades, eles agem em nome do bem geral, do amor, dos ideais nobres, afinal, todos são salvadores da humanidade, mesmo que a coitada nunca quisesse salvadores! Eles aparecem aos milhares, como os santos, o céu deve está apinhado deles. Aí pensei talvez por isto não podia viver lá, o céu está cheio, afinal, todos são bons, todos adoram o bem, o amor e o praticam de forma diária.

Parece que me lembrei de Fernando, o Pessoa, então eu sou o único egoísta, egocêntrico, fazedor de maldades, enquanto todos os outros estão cuidando de salvar a humanidade, e engrandecer o espírito humano, fica um ser insignificante se perguntando porque passa sua vida no inferno. Estava lá porque merecia!

Mas voltei meus pensamentos de novo, e refleti, hora, se quem pratica o chamado bem, não é o mesmo que se diz bondoso, como poderia saber, afinal, quem era o bom e o mal? Ou melhor, o bem e o mal. Poderia estar enganado? Ou não haveria, no fundo, diferença entre as duas entidades, apenas, dependeria do ponto de vista, que olhássemos o prisma, faces da mesma moeda.

Indo um pouco além, intuí que a diferença entre os pecadores e os outros, é que os primeiros assumiam o que faziam, o que queriam fazer, sem se preocupar com os outros, camuflando seus vícios e defeitos, aparentando qualidades que nunca tiveram, foi aí que descobri porque passei minha vida inteira no inferno! Para tal bastava ter consciência, ter incertezas e passar a vida pensando nelas. Eis companheiro bem vindo ao inferno! Mas estou em boa companhia afinal gente como Rimbaud, já passou por aqui, outros vivem a séculos aqui, como um tal de Dante.


Eu

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Brilhante

E se tudo for loucura?
Que ao menos seja pura.
E se tudo for decadente?
Que seja de forma brilhante
e indecente.

Por um instante
tão distante
eu me vi brilhante
que num instante
ficou distante.

Eu

sábado, 14 de abril de 2007

Carta

Sou como o Universo,
sempre estive ali,
sempre vou existir para você,
represento o que de mistério a vida ainda pode ti levar,
entre o amanhecer e o por do sol,
entre o teu sonhar e o mundo do teu prazer.

Sou como cada segundo que não pertence a você.
Um fundo de céu,
como a paisagem que te cerca e acalenta cada temor,
cada sonho seu.

Quero me afastar de você,
tanto como quero que a vida me leve para qualquer lugar,
queria que fosse para longe de você.
Já pus nisso decisão, loucura, ato, força.
Mas você parece não querer,
gosta de arranhar minha loucura
como se fosse sua própria pele.
Você parece gostar de me ver sangrando
e de fazer o mesmo com você.

Eu sei que o mundo do teu sentir, me pertence,
mas teu sentido assim me faz sangrar,
minha alma ao lado de você cospe seu último limiar de vida.
Desfazendo-me assim só vou conseguir ti alimentar por mais alguns instantes.

Entre, o não conseguir dormir,
o não conseguir me alimentar de mais nenhum outro sonho,
esbarro com seu ser.
Algo como flutuar entre teus pensamentos,
sabendo de cada suspirar seu.
Já ti disse não conseguirei viver entre a loucura de ti ter
e o sonho de nunca mais ti ver.

Deixe-me, ou cuida de mim,
vive comigo ou me solte para ter minhas últimas viagens de vida.
Ficarei em paz se não olhar mais para você,
tanto quanto não conseguirei mais respirar.
O levantar do sol me avisa que existe um corpo em mim,
meu ser é mortal, por mais que perto de você
ele se esqueça disso.

Sem poder agir, sem poder fugir, sem querer fingir. Estou aqui.
Pode ser que seja ti esperando,
pode ser que seja desesperando,
pode ser que nem seja,
que nem eu mesmo saiba,
se tudo é mero acaso de ainda continuar ti amando...

Eu