Prólogo

Gostaria de explicar, ao menos entender porque comecei a escrever poesia ou algo do gênero, e como tudo começou. Minhas lembranças me levam, antes mesmo de minha adolescência, independente da minha vontade, parece ser tudo coisa da estupidez do momento ou obra do acaso. Como explicar a vida ou uma existência?

Também não se trata de um dom, escrever como faço é mais um tipo de compulsão, esta aqui é a minha. Assim, convido o leitor a tentar entender minha viagem de vida, meus pensamentos, delírios e outras loucuras próprias. O que procurava? Nem sei, mas não consigo viver sem pensar, sentir sem registrar tudo em algum lugar, o transcrito aqui é o transbordar da minha individualidade, além do suportável por ela.

Se é possível definir o que faço, o leitor verá como o lirismo, o romantismo, o niilismo e a inocência perdida se fundiram de tal forma, tornando um ser perdido e apartado do momento. Minha energia se foi, e o Universo que a tenha em bom lugar. Decidi que esse momento era o propício para iniciar este projeto, não me perguntem porque, não tenho esta resposta no momento.

Os textos postados aqui são de minha autoria , não estão em ordem cronológica, mas conforme os postarei aqui. Sempre assinei meus textos com o pseudônimo "EU". Nem tudo será poesia, nem tudo será coerente ou sábio. Afinal, posso ser tudo, menos sábio...

EU

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Matando

Às vezes sonho
com você me matando
e não consigo imaginar nada melhor.
Partir
tendo como última lembrança
seu rosto...
Depois
descansaria em paz.

Eu

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Respirar

Parar de respirar
nos teus braços.
E recomeçar
um novo universo
no chupar
de sua boca.
E no vale
entre seus seios
vou descansar
para depois descer
ao seu centro.
E colher ali
o molhar
de seus suores.
E realizando
cada tremor de seu corpo
cada arrepiar de sua derme
vou deslizando
para de novo recomeçar.

Eu

sábado, 18 de agosto de 2007

Fantasmas

... e no tempo percorrido
deixo fantasmas do meu ser
que moram em dias
que já foram meus.

... e nos caminhos percorridos
meus fantasmas vão se perder
para nunca mais se acharem
nos caminhos do meu ser.

... e no tempo perdido
meus fantasmas vão viver
vão se achar na tentativa
de então me encontrar.

... e nos caminhos do meu ser
meus fantasmas vão perecer
para depois
se tornarem partes do meu ser.

...e no tempo decorrido
meus fantasmas vão colher
partes do meu ser
mas só iremos nos encontrar
quando o meu ser se perder
no fantasma que ainda vou ser.

EU

domingo, 5 de agosto de 2007

Madrugada

É de madrugada
que a luz apaga
que o sono afaga
que vem a fada
de luz apagada.

É de madrugada
que a voz cala
É que escrevo uma palavra
bem calada.

É de madrugada
e de luz apagada
que vem você
como uma fada.

E como o sono
você me afaga
bem de madrugada
bem calada
é que você escreve uma palavra
Amor
na calada
da madrugada...

Eu

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Esconder

Pode esconder-se
no céu à noite
como uma nuvem branca.

Pode-se correr
de um homem manco.
Ocultar-se em plena luz
de um cego.

Pode-se enfim
Encontrar qualquer caminho incerto
de certo
para correr de algo
basta ter-se pernas
e não ser um manco.

Para ser pequeno
precisa-se apenas daquilo
que já temos de sobra.
Precisamos de coragem
sim
para criar
sonhar alto
que da queda podemos sofrer.

Se da vida podemos colher.
Por quê?
Só escolhemos correr
e nos esconder em sombras.
Crie-se a luz
Reverta-se o que medíocre nasceu
para ter altura
merecida por nós.

Não consigo entender
nem a mim
quanto mais vocês.

Eu

domingo, 3 de junho de 2007

Quatro Paredes

E as emoções?
Estão pairando no ar
e caindo na cama
logo
nos faltará ar
Entre quatro paredes
nossos gemidos calarão o silêncio
e o vazio...
nos aproxima
mais e mais.

Agora
somos um só
logo mais
dois estranhos
De manhã
estará tudo acabado
Tudo pronto
para começarmos de novo.

Eu

sábado, 19 de maio de 2007

Cama

Deitado em minha cama
vejo o passado me assombrar
relembrando sua foto
em cada quadro que olho.

Sempre esta mesma paisagem
a tomar o meu pensar
gostaria de ti ver livre
voando ao meu redor
enquanto choro
e meu molhar
no rosto triste
sentir seu vento levar
meu gosto de mar
que vive só
para teu vôo
a levar toda esperança
que já tive um dia.

Algum dia
talvez
possa estar no erguer de sua asa
mais livre abandonar
Por hora
dobro meu olhar
para poder guardar
a lembrança de teu voar
No mais
estou em meu leito
Sem você
para poder olhar
acho que jamais
irei aprender a voar.

Eu

terça-feira, 8 de maio de 2007

ANJINHO

Dorme anjinho
porque seu lugar é no céu
Fica por aí para cuidar de mim.

Nasci para vagar
como alma penada
e ficar no purgatório.

Você nasceu para voar
e cuidar dos outros
ajudando-os a sonhar.

Queria aprender com sua delicadeza
roubando um pouco de sua gentileza
e tirando um pouco de sua tristeza.

Sou alma perdida
já toda ferida
não posso mais achar um caminho.

Me ensina a voar
me mostra o caminho
pra ficar ao seu lado.

Enquanto isso você dorme
como se faz para voltar a sonhar?
Onde você faz suas mágicas?

Conta pra mim seus segredos
deixe-me partilhá-los com você
para minha alma descansar em paz...

Eu