Prólogo

Gostaria de explicar, ao menos entender porque comecei a escrever poesia ou algo do gênero, e como tudo começou. Minhas lembranças me levam, antes mesmo de minha adolescência, independente da minha vontade, parece ser tudo coisa da estupidez do momento ou obra do acaso. Como explicar a vida ou uma existência?

Também não se trata de um dom, escrever como faço é mais um tipo de compulsão, esta aqui é a minha. Assim, convido o leitor a tentar entender minha viagem de vida, meus pensamentos, delírios e outras loucuras próprias. O que procurava? Nem sei, mas não consigo viver sem pensar, sentir sem registrar tudo em algum lugar, o transcrito aqui é o transbordar da minha individualidade, além do suportável por ela.

Se é possível definir o que faço, o leitor verá como o lirismo, o romantismo, o niilismo e a inocência perdida se fundiram de tal forma, tornando um ser perdido e apartado do momento. Minha energia se foi, e o Universo que a tenha em bom lugar. Decidi que esse momento era o propício para iniciar este projeto, não me perguntem porque, não tenho esta resposta no momento.

Os textos postados aqui são de minha autoria , não estão em ordem cronológica, mas conforme os postarei aqui. Sempre assinei meus textos com o pseudônimo "EU". Nem tudo será poesia, nem tudo será coerente ou sábio. Afinal, posso ser tudo, menos sábio...

EU

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Praia

Da praia
o horizonte parece um prisioneiro
entre o céu e o mar.
Neste paralelo infinito, encontro-me.
Sou como este eterno desencontro
um ser envolto neste sem fim
a não se tocar.
Este sentido frio e distante
cruzou comigo
possuindo-me de esquecimento
e deixando o mundo algo nulo.
Perdi-me ao contemplar estes dois infinitos azuis.
Quando percebi o ocorrido
tudo já tinha ido
e me levado consigo.

Eu

sábado, 27 de outubro de 2007

Abismo

A poesia
trás consigo
a ilusão da eternidade
escondendo por trás
nossa triste verdade
a idade
e o que ela nos trás.

Vivendo por nós
o infinito do tempo
nos trás
um conto sem fim
transportando-nos
Assim
para além do portal
da etérea eternidade.

Prisioneiro do tempo
como todos nós
Gosto de pensar
que escrevendo
posso alongar
meu tempo
e tornar o período de espera
uma nova era.

Ainda que tudo
seja delírio
prefiro sonhar
e escrever versos sem fim
a ter que olhar
o tempo passar
por mim
e me levar
para este abismo
sem fim...

Eu

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Matando

Às vezes sonho
com você me matando
e não consigo imaginar nada melhor.
Partir
tendo como última lembrança
seu rosto...
Depois
descansaria em paz.

Eu

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Respirar

Parar de respirar
nos teus braços.
E recomeçar
um novo universo
no chupar
de sua boca.
E no vale
entre seus seios
vou descansar
para depois descer
ao seu centro.
E colher ali
o molhar
de seus suores.
E realizando
cada tremor de seu corpo
cada arrepiar de sua derme
vou deslizando
para de novo recomeçar.

Eu

sábado, 18 de agosto de 2007

Fantasmas

... e no tempo percorrido
deixo fantasmas do meu ser
que moram em dias
que já foram meus.

... e nos caminhos percorridos
meus fantasmas vão se perder
para nunca mais se acharem
nos caminhos do meu ser.

... e no tempo perdido
meus fantasmas vão viver
vão se achar na tentativa
de então me encontrar.

... e nos caminhos do meu ser
meus fantasmas vão perecer
para depois
se tornarem partes do meu ser.

...e no tempo decorrido
meus fantasmas vão colher
partes do meu ser
mas só iremos nos encontrar
quando o meu ser se perder
no fantasma que ainda vou ser.

EU

domingo, 5 de agosto de 2007

Madrugada

É de madrugada
que a luz apaga
que o sono afaga
que vem a fada
de luz apagada.

É de madrugada
que a voz cala
É que escrevo uma palavra
bem calada.

É de madrugada
e de luz apagada
que vem você
como uma fada.

E como o sono
você me afaga
bem de madrugada
bem calada
é que você escreve uma palavra
Amor
na calada
da madrugada...

Eu

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Esconder

Pode esconder-se
no céu à noite
como uma nuvem branca.

Pode-se correr
de um homem manco.
Ocultar-se em plena luz
de um cego.

Pode-se enfim
Encontrar qualquer caminho incerto
de certo
para correr de algo
basta ter-se pernas
e não ser um manco.

Para ser pequeno
precisa-se apenas daquilo
que já temos de sobra.
Precisamos de coragem
sim
para criar
sonhar alto
que da queda podemos sofrer.

Se da vida podemos colher.
Por quê?
Só escolhemos correr
e nos esconder em sombras.
Crie-se a luz
Reverta-se o que medíocre nasceu
para ter altura
merecida por nós.

Não consigo entender
nem a mim
quanto mais vocês.

Eu

domingo, 3 de junho de 2007

Quatro Paredes

E as emoções?
Estão pairando no ar
e caindo na cama
logo
nos faltará ar
Entre quatro paredes
nossos gemidos calarão o silêncio
e o vazio...
nos aproxima
mais e mais.

Agora
somos um só
logo mais
dois estranhos
De manhã
estará tudo acabado
Tudo pronto
para começarmos de novo.

Eu