Prólogo

Gostaria de explicar, ao menos entender porque comecei a escrever poesia ou algo do gênero, e como tudo começou. Minhas lembranças me levam, antes mesmo de minha adolescência, independente da minha vontade, parece ser tudo coisa da estupidez do momento ou obra do acaso. Como explicar a vida ou uma existência?

Também não se trata de um dom, escrever como faço é mais um tipo de compulsão, esta aqui é a minha. Assim, convido o leitor a tentar entender minha viagem de vida, meus pensamentos, delírios e outras loucuras próprias. O que procurava? Nem sei, mas não consigo viver sem pensar, sentir sem registrar tudo em algum lugar, o transcrito aqui é o transbordar da minha individualidade, além do suportável por ela.

Se é possível definir o que faço, o leitor verá como o lirismo, o romantismo, o niilismo e a inocência perdida se fundiram de tal forma, tornando um ser perdido e apartado do momento. Minha energia se foi, e o Universo que a tenha em bom lugar. Decidi que esse momento era o propício para iniciar este projeto, não me perguntem porque, não tenho esta resposta no momento.

Os textos postados aqui são de minha autoria , não estão em ordem cronológica, mas conforme os postarei aqui. Sempre assinei meus textos com o pseudônimo "EU". Nem tudo será poesia, nem tudo será coerente ou sábio. Afinal, posso ser tudo, menos sábio...

EU

domingo, 27 de abril de 2008

Brincadeira

Eu brinco com as palavras
Meu brinquedo é a vida
Nunca canso de brincar
brinco com a brincadeira
brincadeira de menino
brinquedo da vida
brinco com o brinquedo
vivo de brincadeira
brinco de viver

Sou um brinquedo
brinquedo do tempo
vou brincar até a brincadeira acabar
não esconda seu brinquedo
não estrague a brincadeira
venha brincar comigo.

Eu

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Pintura

A pintura na tela dança
se transforma
se debate
na forma plana
seu limite
em espaço físico se traduz
tenta fugir
muda de cor e forma
tentando ganhar algo mais real
do que sua própria imagem
pode ainda não parecer.

A realidade é escada
e cada degrau que subimos
nele mais nos perdemos
o chão então se desfaz
na distância de cada degrau abandonado
e de cima
perde-se toda a noção de sentido.
O sentimento se desfaz
em impressões vagas dos lances percorridos
e tudo em volta se sucumbe
em restos de suores frios
cortando o elo da corrente deixada para trás.
Vejo-me do alto da escada
disposto a abandonar
esta subida
que consome meu vagar
a ponto de
do alto me lançar
em busca do amado chão.

Eu

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Menino

Fique para olhar
o tempo passar
e amar a imagem distante
de um menino
brincando com o seu destino
Era de pura alegria
o menino ria
porque não via
o fim do dia...

Eu

Borboleta

Borboletas voando
em volta do jardim
a semear pólem
de flor em flor
O sol corta indistintamente
o verde
tudo colore a paisagem.

Queria escrever assim
como quem espalha flores
num jardim.

Eu

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Praia

Da praia
o horizonte parece um prisioneiro
entre o céu e o mar.
Neste paralelo infinito, encontro-me.
Sou como este eterno desencontro
um ser envolto neste sem fim
a não se tocar.
Este sentido frio e distante
cruzou comigo
possuindo-me de esquecimento
e deixando o mundo algo nulo.
Perdi-me ao contemplar estes dois infinitos azuis.
Quando percebi o ocorrido
tudo já tinha ido
e me levado consigo.

Eu

sábado, 27 de outubro de 2007

Abismo

A poesia
trás consigo
a ilusão da eternidade
escondendo por trás
nossa triste verdade
a idade
e o que ela nos trás.

Vivendo por nós
o infinito do tempo
nos trás
um conto sem fim
transportando-nos
Assim
para além do portal
da etérea eternidade.

Prisioneiro do tempo
como todos nós
Gosto de pensar
que escrevendo
posso alongar
meu tempo
e tornar o período de espera
uma nova era.

Ainda que tudo
seja delírio
prefiro sonhar
e escrever versos sem fim
a ter que olhar
o tempo passar
por mim
e me levar
para este abismo
sem fim...

Eu

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Matando

Às vezes sonho
com você me matando
e não consigo imaginar nada melhor.
Partir
tendo como última lembrança
seu rosto...
Depois
descansaria em paz.

Eu

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Respirar

Parar de respirar
nos teus braços.
E recomeçar
um novo universo
no chupar
de sua boca.
E no vale
entre seus seios
vou descansar
para depois descer
ao seu centro.
E colher ali
o molhar
de seus suores.
E realizando
cada tremor de seu corpo
cada arrepiar de sua derme
vou deslizando
para de novo recomeçar.

Eu